Assentados cearenses apostam na produção agroecológica para incrementar renda

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Ainda nem saiu o sol e o dia do agricultor José Júlio Rodrigues já começou. Com a ajuda da esposa, Francisca Menezes Rodrigues (Dona Tica), ele prepara os produtos para participar de mais uma feira agroecológica no Ceará. O casal mora no assentamento criado pelo Incra, Várzea do Mundaú, no município de Trairi, a 135 quilômetros da capital Fortaleza.

Agora, não precisam mais esperar o caminhão pau de arara para transportar a mercadoria. Com o dinheiro arrecadado do que é comercializado nas feiras, compraram um carro próprio. “Antes era ruim, pisavam nos produtos”, lembra José Júlio, que recebeu a certificação de Produtor Familiar Orgânico pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) no ano passado.

No assentamento, o cultivo é variado: milho, feijão, cheiro verde, goiaba, mamão, ata e graviola. Tudo produzido sem agrotóxicos e sem a utilização de queimadas. Para isso, fizeram uma capacitação de aproximadamente dois anos, promovida pela organização da sociedade civil Centro de Estudos do Trabalho e Assessoria do Trabalhador (Cetra), com o apoio financeiro da Petrobras, Secretaria de Desenvolvimento Agrário do Ceará (SDA) e Cooperação Internacional Manos Unidas.

Além dele, outras 40 famílias, dentre as 200 que são assentadas no Várzea do Mundaú, participam dos projetos agroecológicos. No decorrer da implantação destas iniciativas, os agricultores receberam assistência técnica contratada pelo Incra para a transição do cultivo convencional para o agroecológico.

Por conta da iniciativa dos assentados, foi formada uma rede de feiras agroecológicas e solidárias que acontecem periodicamente em várias cidades do Ceará, como Apuiarés, Itapipoca e Quixeramobim. Segundo os agricultores que compõem a rede de agroecologia, com as novas práticas de cultivo, a qualidade de vida no assentamento teve um incremento significativo nos últimos anos.

A assentada Marizete Carlos é uma das que fazem parte dos projetos. Mãe de quatro filhos, ela começou a utilizar a agroecologia recentemente e comercializa, além do cheiro verde, vários tipos de doces, como o de goiaba e o de mamão com coco. “Os doces são os que vendem mais”, conta. Segundo ela, agora uma alimentação saudável é vendida diretamente aos consumidores, eliminando a figura do atravessador. Marizete considera que a situação econômica melhorou muito no assentamento após o início das feiras.

Perseverança

A barreira cultural ainda é um obstáculo a ser vencido quando se fala em adotar as técnicas agroecológicas. No começo, o próprio José Júlio foi, muitas vezes, encorajado a utilizar veneno para matar pragas e queimar o solo. “Como é que você vai trabalhar sem queimar?”, ouviu de outros trabalhadores.

Mas, com o aprendizado, levou a ideia adiante. O conhecimento que adquiriu é do que ele mais se orgulha. “Isso ninguém tira”, diz o agricultor, que já foi até Recife (PE) e São Paulo (SP) para aprender técnicas de agroecologia. “Passei a acreditar mais na natureza. Transformar uma área em produtiva requer tempo, mas a produção é maior”, complementa.

Hoje, ele e a esposa não se arrependem da decisão tomada. “Depois que fizemos o curso de agroecologia e vi a importância do meu quintal produtivo, aumentou a fartura da minha casa. Se chegar uma pessoa aqui eu tenho um suco orgânico para dar, uma alimentação saudável, sem agrotóxicos”, comenta Dona Tica.

Os produtos comercializados pelo casal podem ser encontrados nas feiras quinzenais dos municípios de Trairi – às sextas-feiras na Praça da Matriz, e de Itapipoca – às quartas-feiras na Praça da Matriz, geralmente com início às 6 horas.

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