Prefeitura de Itanhaém recebe prêmio com o milho guarani

Créditos imagem: 
Paulo Henrique Carvalho

 

ASCOM / FUNAI

A Prefeitura de Itanhaém (SP) ficou em primeiro lugar na categoria Melhor Programa de Política Pública do Prêmio Josué de Castro de Combate à Fome e à Desnutrição, com a inclusão do milho guarani (Avaxi Ete'i) na merenda escolar. O premio foi conferido pelo governo do estado de São Paulo, por meio do Conselho Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável (Consea-SP).
A solenidade de premiação ocorreu nesta terça-feira, 16 de outubro, na sede da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento, em São Paulo.
 
O milho guarani foi inserido na merenda das escolas indígenas das aldeias Rio Branco e Tangará, em Itanhaém, por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar - PNAE. Os produtos são adquiridos diretamente dos agricultores Ribeiro da Silva, da aldeia Rio Branco, em Itanhaém, e Leonardo da Silva, da aldeia Aguapeú, no município de Mongaguá. Os produtores possuem o Selo de Identificação da Participação da Agricultura Familiar (SIPAF), uma ferramenta de visibilidade e valorização dos agricultores familiares.
 
Para a gestora do Banco de Alimentos de Itanhaém, Luciana Melo, "a iniciativa, que envolve diversos setores da prefeitura, tem na Funai uma importante parceira, com quem vem trabalhando desde 2013 neste projeto".
 
Milho Verdadeiro
 
O projeto de plantio de Avaxí Ete'i - o Milho Verdadeiro, realizado pela Coordenação Regional (CR) Litoral Sudeste da Funai, visou implantar campos para produção de semente em três aldeias localizadas na região de atuação da CR. As áreas foram escolhidas pelos indígenas, com sistema de produção empregado tradicionalmente por eles, envolvendo período de plantio, escolha das sementes, espaçamento entre plantas e entre linhas, quantidade de sementes plantadas, período de colheita e tratamento das sementes colhidas. Houve, no entanto, intervenções externas para aumento da produção, como a correção da acidez do solo e a adubação orgânica, práticas já demonstradas aos indígenas e que obtiveram a aprovação dos agricultores.
 
O projeto incluiu, também, a compra de parte da produção de sementes pela Funai para distribuição em aldeias que não as possuem ou apresentam quantidade insuficiente para o plantio. A aquisição de micro tratores para as aldeias, por meio de projetos desenvolvidos pela Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, contribuíram para impulsionar a produção indígena.
 
Além de seu valor nutricional, os diferentes tipos de milho tradicionalmente cultivados pelos Guarani Mby'á destacam-se pelo fato de estarem intimamente relacionados com importantes ritos religiosos praticados nas aldeias, como é o caso do Ritual de Batismo do Milho, oNheenmongaraí, quando são revelados e atribuídos os nomes em língua Guarani às crianças da aldeia. Segundo os Mby'á, os nomes representam suas verdadeiras "almas", e a influência do "nome-alma" atribuído a um determinado indivíduo durante o Nheenmongaraí pode ser vista na organização social e espacial do grupo como um todo, no papel do indivíduo dentro do grupo, e também com quem esse indivíduo pode se unir matrimonialmente e onde deve constituir sua morada.
 
Colaboração: Gilberto Bueno – CR Litoral Sudeste/Funai

Autor(es): 
ASCOM / FUNAI