Riqueza natural do Cerrado contribui na renda de famílias assentadas

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Marina Oliveira

MARINA OLIVEIRA

A rica natureza proveniente do bioma Cerrado é aproveitada como matéria-prima em empreendimentos da reforma agrária, transformando a vida das famílias por meio da renda e do trabalho que são gerados com a utilização, de forma orgânica, dos recursos naturais.

A agroindústria Doce Sabor, implantada no assentamento Três Barras, em Cristalina (GO), tem nas frutas nativas a base da sua produção. Criada há 19 anos, garante a renda da família de Eva Regina Gomes Rodrigues, com a comercialização de aproximadamente 300 quilos de doce por mês.

“Comecei fazendo oito tipos de doces e resolvi vender na feira do município. Chegando lá foi um sucesso e, desde então, não parei mais”, lembra a agricultora, que iniciou a produção há 26 anos. Hoje, o trabalho emprega toda a família: esposo, filha e genro, que dividem o mesmo lote da reforma agrária.

O doce de leite é o carro-chefe, mas o empreendimento familiar também dispõe de compotas de frutas, doces cristalizados, geleia de mocotó, paçoca de baru e rapaduras de mamão, leite, amendoim e coco. A comercialização é feita nos mercados, padarias, bares, feiras e restaurantes do município de Cristalina.

A Doce Sabor, além de assegurar serviço para a família inteira, também impulsiona a economia do local. “Toda a matéria-prima utilizada nos doces é cultivada no próprio assentamento. Compramos dos produtores e, desta forma, ajudamos outras famílias assentadas”, considera Eva Regina.

Inspiração da natureza

Já no assentamento Márcia Cordeiro Leite, em Planaltina (DF), agricultores utilizam os elementos oriundos da natureza para a produção de artesanato. A inspiração vem das sementes e folhas de árvores nativas do Cerrado, como pau-terra, pata-de-vaca, jatobá, sucupira, araticum e favela. São colares, brincos e outros adereços que ganham forma com o uso do material orgânico.

O grupo de seis pessoas produz também artesanato em argila, moldando cofres e garrafas, além de peças artísticas, como esculturas. Utilizam ainda a fibra de banana, que acrescenta um diferencial de valor e beleza às produções.

“Apresentamos o nosso trabalho em eventos e feiras em Planaltina e também na Universidade de Brasília (Unb), sempre que temos oportunidade”, conta a assentada Zilmar de Almeira Pereira, que foi beneficiada com um lote da reforma agrária há quatro anos.

Autor(es): 
Marina Oliveira - INCRA